sábado, 6 de março de 2010

Dia 4


Uma pequena crônica para...

O dia Quatro



Nos encontramos ocasionalmente.
Será esse destino saliente? Questionando-me, enxergo as múltiplas variantes da vida.
Quantas vezes desisti de especular sobre você. Dezenas, dúzias, centenas, milhares.
Aff! Afirmo em reticências, que o que perdi foram meus pensamentos.
E é nos meros acasos propositais, que me distancio de forma correta do meu balzaquiano raciocínio.
Por hora tudo parece ótimo!E depois?
Encontro-me a digerir, minha pseudo-observação e andei na trama que é a vida!
Quando lhe vejo parece tudo muito fácil no início. Daí vem o difícil. O fim de tudo, uma verdadeira prova de fogo. E arde! Arde incandescente, parecendo um espetáculo pirofágico, que toma todo o corpo colhendo dos meus gemidos sua última nota de piedade. E depois me traz um pálido desconforto. Um misto de sensações colado ao seu peito suado e tão aconchegante. Uma longe esperança de estar vivendo tudo como outrora. Digamos que até gélido se torna para mim também. Era como se fosse a primeira vez. Ávido como naquele outro encontro de um outro dia quatro.
Mas minha singela inteligência põe a prova todas àquelas cenas gravadas, das quais só eu possuo, pois estão em meu hd interno e pessoal. Presumo que possa ser assim, com todos os pensantes do mundo.
Pronto!
Eu a preferida de seu destino, entregue a teu incisivo insinuar.
A escolhida!
Por motivos que nem mesmo, minha tórrida aflição se convenceria a acreditar. E era só um instante, onde determinava de que este encontro jamais se esvaia. Mas... Se esvaia certamente. Profanei juras internas de adoração, uma suprema devoção negligente e infinda de zelos.
Pratico, porém, feitiços sedutores em forma de casta energia, para atingir alguma lânguida satisfação em você, mesmo que não duradoura. Pois ao acordar, saberei que vou estar sozinha outra vez.
Minhas muralhas são as lágrimas das quais você não consegue daí observar.
E agora? Você despido, debruçado sobre a janela fumando um cigarro. Cretino! Oferecendo-me a nuance de seu corpo entre os véus da cortina. E você não adormeceu continuou de pé, debruçado provocando uma bela cena! Unanimidade de um click só meu. E os negativos da mesma só eu tenho, em minha grácil memória. Dou vasta credibilidade para a minha ótica. Existem certas fotos que só prestam tiradas por nossos olhos. Tudo muito secreto tudo muito discreto.
Não estou aqui vivendo utopias ou coisas da minha criativa imaginação. E é nesta realidade que espero, sinceramente atingir;
Muitas provas de fogo. Assim como, estes acasos propositais que são nossos encontros.
O meu melhor, é saber que aqui jaz, somente uma passagem, mas por enquanto estou viva! E preciso de todas as emoções para continuar a sentir o pulsar de minhas veias. E os resquícios de um perfeito orgasmo já em mim lavrado por ti. Mesmo que meu amanhã talvez ao despertar, venha a ter crises discretas de insanidade somente para disfarçar minha póstuma loucura.
Sanidade!
Seria esta a forma mais correta e vil para viver sem depressão, sem angústia, sem medo.
Medo!
Talvez dentro de minha suntuosa aristocracia, deixo caber esta demência de sentimento como um antiquado "Bicho Papão".
E este, que pode sair a qualquer momento debaixo da cama, para me devorar como um algoz dentro de minha nobre alcova.
Por isto gosto de anarquizar certas palavras. Desprezo as sem o famoso “pudor", palavra da qual anarquizei já faz um bom tempo. E desse jeito procuro domar com firmeza meus distúrbios de fonética.
Exclamado bem baixinho a ti um humilhante e singelo...Fica por favor! Não vá embora!
Que bobagem! Suplicar uma presença, mesmo sabendo que ele não pertence mais ao meu habitual cotidiano.
Mas continuo lá! Dentro de mim suplicando, agonizando os gritos com toda a pureza de minha alma, para que nem mesmo os Anjos possam vir a me escutar.
E ele?
Bate a porta... E se vai!


Por DANIELA PALERMO
Danny

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