Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
Daniela Palermo por *José Saramago *
Nascimento 16 de Novembro de 1922
Azinhaga, Golegã, Portugal
Morte 18 de Junho de 2010 (87 anos)
Lanzarote,Canárias, Espanha
Nacionalidade Português
Ocupação Romancista, contista, dramaturgo, poeta
Principais trabalhos Memorial do Convento; O Evangelho segundo Jesus Cristo; Ensaio sobre a Cegueira …
Prêmios Nobel de Literatura (1998)
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